um instante

O emaranhado perfeitamente organizado no topo da cabeça tinha a forma de um túnel do tempo psicodélico. Meus olhos eram o céu e sua cabeça, um ciclone a tragar toda a atenção. Os fios se dividiam em camadas branca, cinza e de uma tinta castanha, que insistia em permanecer. Por longos segundos, me deixei a examinar o penteado sustentado por grampos — o caos e a ordem, alheios à beleza e ainda assim belos. A espiral a compor redemoinho e a desafiar o tempo, quando, num solavanco, o metrô abriu as portas e a cabeça correu, a garantir um assento na volta para casa.

Por Silvia Ribeiro

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Fotografia: Henri Cartier-Bresson

 

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